Você se identifica com a causa das pequenin@s de Deus e com o Deus que se importa com a vida de toda@s? Então, chegou o devocionário que traz uma leitura libertadora e inclusiva, promotora de paz e justiça! Um verdadeiro trabalho de mutirão! Escrito por leig@s e ministr@s, o Semente de Esperança é fruto de muitas mãos. Mãos que se envolvem na luta ao encontro do Reino de Deus. Adquira seu devocionário. Assim, terás uma leitura edificante para os 366 dias de fé e de luta em 2020!
Olho para a mata e vejo seu verde. Chego mais perto, olho novamente, e observo as muitas tonalidades do verde: Vejo a variedade entre o verde que é quase amarelo e o verde que é quase azul. Dou alguns passos e entro na mata. Constato que cada espécie de árvore tem folhas diferentes da outra espécie. Depois, caminho pela mata e descubro que a diversidade de folhas, flores e frutas atrai uma variedade infinita de espécies da fauna e da flora. Fossem todas as árvores iguais, de uma só espécie, e haveria menos vida. Concluo que a diversidade é rica e a uniformidade é pobre.
Médicos e nutricionistas ensinam que nossos pratos são tanto mais saudáveis quanto mais coloridos, porque cada alimento tem seu valor nutritivo próprio. Se nossos alimentos fossem sempre brancos ou sempre marrons, nosso corpo não encontraria a diversidade que necessita para alimentar-se bem. Portanto, nossa mesa é rica quando nossos alimentos são diversificados; e nossa mesa é pobre quando nossos alimentos não variam.
Vejo lavouras de uma única espécie de plantas, até onde minha vista alcança. A manipulação genética e os venenos possibilitam esse tipo de plantação uniforme. Essas lavouras não têm as flores que as abelhas procuram; que as borboletas querem visitar. Essas plantações não acolhem libélulas, nem convidam besouros, nem apreciam o canto dos pássaros e, nas entressafras, com o solo exposto, o sol queima todas as formas de vida. Lavouras de monocultura fazem guerra contra a natureza, porque insistem na uniformidade quando a natureza insiste na diversidade; porque a uniformidade destrói a vida, mas a diversidade promove a vida; porque a uniformidade exclui, mas a diversidade inclui.
Admito: O lucro é necessário. Sem lucro, não haverá produção de alimentos suficientes. Admito também que é necessário criar manejos, instrumentos, e recursos técnicos que facilitam o trabalho duro de arar a terra, de plantar a semente e de colher o alimento. Não por último, admito que as plantas indesejadas devem ser combatidas para evitar que sufoquem as culturas de quem planta e precisa colher. Mas cada planta e cada ser vivo tem sua função no equilíbrio da natureza, e cada espécie tem seu lugar na cadeia de interdependência das múltiplas formas de vida. Por isso, cada espécie eliminada com venenos deixará uma lacuna e fará falta. Além disso, os grandes lucros usufruídos por poucos donos de monoculturas gigantescas não enriquecem a totalidade do povo; e os silos cheios de poucos proprietários não alimentam os estômagos vazios dos muitos famintos: Quando os lucros decidem o que se produz (trigo, soja, milho, carne, algodão, etanol, eucalipto); quando o mercado decide sobre os lucros (o que rende mais no momento); quando os lucros decidem sobre o destino da colheita (exportação ou a mesa das famílias brasileiras).
De tempos em tempos surgem governantes que enaltecem a uniformidade de pessoas e de raças, de culturas e de confissões religiosas, de expressões artísticas e de formas de afeto: Combatem a diversidade, excluem os diferentes, desprezam as minorias, rejeitam o diálogo entre formas de vida e de opiniões diferentes. Hitler queria uma raça ariana pura. Getúlio, durante o Estado Novo, mandava prender quem falasse uma língua que não fosse o português. Nas décadas de 1960/70 permitia-se uma verdade só e somente um passo certo. Mas a vida do povo brasileiro é colorida. Ela é indígena e negra; é luso-brasileira e mestiça, é ítalo brasileira e teuto brasileira com todas as demais variações; é feminina e masculina; é heteroafetiva e homoafetiva. A vida foge da uniformidade porque é mais ampla, mais bela, mais livre, mais variada e mais colorida. As pessoas são diferentes umas das outras, mas elas são todas iguais em seus direitos e seus deveres, e cada uma tem o direito às condições que necessita para desenvolver plenamente sua personalidade e seu potencial. É a diversidade de um povo que constitui sua riqueza, desde que haja projetos de integração que evitam a exclusão. Mais cedo ou mais tarde, a torrente indomável da diversidade romperá as represas da uniformização, porque o colorido enriquece, mas a uniformidade empobrece. E os limites são a Constituição Federal, o Código Penal e o Estado de Direito, jamais o arbítrio deste ou daquele governante.
Silvio Meincke.
Tudo indicava que não haveria acordo. Mas no fim de intermináveis debates e negociações, 197 países assinaram. Isso foi na Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, em Paris, em 2015. Finalmente, a humanidade tem um acordo universal para adotar formas de desenvolvimento sustentável, capazes de proteger a natureza e de amenizar o aquecimento global. Por isso, a ministra do meio ambiente da Alemanha chorou de emoção quando pegou a caneta para assinar o acordo. A meta desse acordo é evitar um aquecimento acima de 2°C e, para que isso seja possível, os países signatários se comprometem em reduzir as emissões de gases-estufa ao nível necessário para tal, até 2030. Sabemos que todos os países ainda estão em dívida diante das metas resumidas nos 17 capítulos da chamada Agenda 2030, mas há muitos países que estão fazendo um esforço gigantesco para cumpri-las. Infelizmente, Donald Trump, governante do país que mais polui e que mais agride o meio ambiente, rompeu com o acordo, em junho de 2016. Jair Bolsonaro, durante a campanha eleitoral, ameaçava romper também mas, depois de eleito, felizmente desistiu por causa das pressões, tanto internas quanto externas. Agora, neste fim de setembro, as Nações Unidas realizaram uma Conferência do Clima, de 1 dia, antes do início da sua Assembleia Geral, em Nova York. Estavam inscritos para falar somente os governantes de países que tinham medidas concretas para apresentar: Iniciativas e decisões governamentais sólidas que cumprem as metas da Agenda 2030, entre os quais está o capítulo sobre o meio ambiente e o aquecimento global (redução da emissão de gases, por exemplo no transporte, no ar condicionado, na produção de energia, na indústria, na agricultura, na mineração). O Brasil confirmou, em Nova York, a má figura que está fazendo, nos últimos meses, aos olhos da Europa e do mundo, porque não mostra determinação para cumprir a responsabilidade enorme que lhe cabe, tendo em vista seu tamanho geográfico, sua concentração no agronegócio e por ter em seu território as maiores selvas tropicais do mundo, a Floresta Amazônica. O governo fez um papel feio, porque não teve o que apresentar, tanto que Bolsonaro não foi convidado para falar. Pior: Quando falou na abertura da Assembleia, no dia seguinte, não foi proativo, não mostrou disposição para buscar soluções conjuntas e coletivas, mas ofendeu outros governantes e fez transparecer o seu “faz de conta referente ao acordo”. Essa postura circula nos meios de comunicação do mundo inteiro e fornece material quente para humoristas e caricaturistas. Ainda assim, há vários motivos de esperança de que o nosso País cumpra seu papel, independente de quem o governa: 1) O Brasil assumiu compromisso diante das outras nações quando assinou o Acordo de Paris, e esse compromisso pode ser cobrado por elas. 2) O Tratado de Livre Comércio entre União Europeia e Mercosul inclui a cláusula de que o Acordo de Paris seja cumprido. 3) O agronegócio, que tem grande poder eleitoral, vai perder mercado se as metas não forem observadas. 4) As manifestações da juventude, concentradas no movimento “Fridays for Future”, iniciadas pela jovem sueca Greta Thurnberg, vem pressionando governantes do mundo todo para que cumpram as metas, e esse movimento consegue envolver as gerações mais velhas, que não souberam ou não quiseram cuidar do Planeta Terra. Não temos mais tempo a perder, mas temos esperanças de que os governantes entrem em pânico, como Greta Thunberg deseja.
Estão abertas as inscrições para jovens e adolescentes que desejam estudar na ADL a partir do ano de 2020. Para ingressar será necessário participar do nosso retiro, que acontecerá nos dias 07 e 08 de dezembro de 2019 ou no dia 22 de janeiro de 2020 (segunda chamada) na ADL, em Serra Pelada (na cidade Afonso Cláudio/ES). Abaixo disponibilizamos algumas orientações que poderão auxiliar na tomada de decisão para estudar na ADL. Faça a inscrição em: www.adl.org.br/matricula
Estamos Reunidos no Encontro Nacional da PPL. Um encontro de formação de lideranças. A formação é fundamental nesses tempos em que a falta de união entre as pessoas conduz a sociedade ao abismo da solidão. Tempos em que muitos julgam que podem salvar sua “própria pátria particular” ou a própria “pele”. E no fim, enfraquecidos, todos sucumbem ao isolamento. Unir forças é preciso, mas não de qualquer jeito. Precisamos nos articular, precisamos de formação para a ação coordenada. Ação que chegue no chão da vida e não se perca no labirinto da comunicação da mídias sociais. Ação que transforme e nos transforme conformes a Cristo. Para isso, reconhecemos o/a irmão/ã que luta ao lado, suas dores, suas penas suas alegrias, seu esperançar dentro e para além da Igreja. Nisto, percebemos o valor do/a companheiro/a e que a sua causa é fundamental. Afinal, nossos caminhos se cruzam na caminhada do Reino de Deus. Nesse sentido, buscamos ter comunhão a partir de nossos sonhos para reafirmar nossas esperanças e somar forças na resistência ao mal que insiste em se se chamar “de bem”.
No dia 02 de julho de 2019 a Presidência da IECLB recebeu, na Sede da Igreja em Porto Alegre, integrantes da Coordenação Nacional da Pastoral Popular Luterana. Na ocasião foram relatados os trabalhos realizados em todo o Brasil e falou-se dos projetos em andamento. Também foi explanado sobre o planejamento e sonhos da PPL como parte da IECLB.
A presidente Silvia Beatrice Genz, o Vice-Presidente Odair Airton Braun e o segundo Vice- Presidente Mauro de Souza expuseram sobre as expectativas da IECLB em relação à PPL. Anseiam que esta se empenhe pela formação de lideranças e que possa dar um vivo testemunho do Evangelho, fomentando o sacerdócio de todos os Crentes. Cf. 1 Pe 2.9
Por sua vez a Pastoral reafirmou que tem se pautado pelas quatro dimensões do PAMI : “evangelização, comunhão, liturgia e diaconia”, dentro do espírito da Missão da IECLB “de ser reconhecida como Igreja de comunidades atrativas, inclusivas e missionárias, que atuam em fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, destacando-se pelo testemunho do amor de Deus, pelo serviço em favor da dignidade humana e pelo respeito à Criação”.
E contudo, a PPL está a serviço da promoção do Reino de Deus, dentro e fora do âmbito eclesial – a partir da IECLB. Ela busca cooperar com a Igreja para alcançar aqueles que estão sendo postos à margem pela sociedade, numa perspectiva de diaconia libertadora e transformadora. Renato Kuntzer ressaltou que “a PPL é pastoral popular porque ouve, acolhe e se solidariza com a diversidade de vozes que desejam uma sociedade democrática, que respeita os direitos humanos. Dialoga com parceiros de movimentos populares, movimentos sociais e com entidades ecumênicas a respeito de assuntos de ordem socioeconômica e religiosa. Não somos um movimento, como algo que se mova em direção paralela ou para fora da IECLB. Somos uma pastoral dentro e na IECLB. Dentro da diversidade, a confessionalidade luterana é a nossa identidade.” Por isso a PPL estabeleceu suas prioridades de atuação pastoral que são gênero, meio ambiente, minorias/excluídos e saúde, e com os eixos transversais: formação, comunicação, celebração e incidência.
Nesse encontro a PPL reafirmou que o seu compromisso com a Teologia da Libertação, a leitura popular da Bíblia e parceria com os movimentos sociais e com as pessoas fragilizadas e excluídas. A resistência diante de um sistema opressor das minorias precisa ser refletida e abordada na Igreja. Apoiar os movimentos populares significa vivenciar a práxis do Evangelho de edificar uma sociedade mais justa, fraterna e amorosa.
A PPL reconhece na IECLB uma Igreja que historicamente tem se importado com as causas populares. Uma Igreja que apoia o povo de Deus em suas causas, fragilidades e não se omite na urgente luta pelos direitos da população. E nesse aspecto, o encontro com a presidência ressaltou os valores cristãos e o comprometimento na busca por vida digna para todas as pessoas.
Encontro Presidência da IECLB com a Coordenação da PPL
No dia 25 de junho celebramos os 5 meses do crime da Vale em Brumadinho, que deixou 272 pessoas mortas, uma vasta região devastada pela lama, o rio Paraopeba totalmente morto e um estado de depressão na maioria da população brumadinhense. Das 272 vítimas, 24 ainda não foram encontradas. A celebração que reúne os familiares das vítimas, nesse mês de junho, contou com a presença da Pastora Presidente da IECLB, Silvia Beatrice Genz
O rompimento da Barragem I do Córrego do Feijão em Brumadinho aconteceu dia 25 de janeiro de 2018, às 12h28min e desde então a Comunidade de Belo Horizonte vem acompanhando esses familiares junto com a Igreja Católica em Brumadinho. O primeiro desafio foi acompanhar as famílias no reconhecimento dos corpos no IML em Belo Horizonte e o devido sepultamento. Depois, veio o processo de luto acompanhado de muita revolta contra a Vale. Estudos preliminares comprovam que a Vale sabia do risco de rompimento da barragem. Por isso, as famílias tratam essa situação como um crime doloso da Vale, quando se assume o risco de matar.
A Pastora presidente da IECLB disse que veio trazer o abraço solidário da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e dizer que preservar a memória desse crime é uma das formas eficazes para que situações como essa não se repitam nunca mais. A Pastora Presidente disse se alegrar que através da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Belo Horizonte, toda a IECLB pode se sentir representada junto aos familiares das vítimas de Brumadinho. A Comunidade de Belo Horizonte tem um Projeto de Acompanhamento as Vitimas das Barragens em Minas Gerais.
Em Minas, os casos de apreensão com a mineração continuam emergindo pelo Estado. Barão de Cocais, Nova Lima, Congonhas, Itabira, Ouro Preto e Belo Horizonte são alguns dos municípios na rota das barragens de risco. Moradores desses locais convivem com o terror psicológico da possibilidade iminente do rompimento de barragens. Somadas as mortes diretas, a destruição ambiental perdura por gerações e compromete a segurança hídrica dos municípios. O rio Paraopeba, por exemplo, atingido pelos rejeitos e pela lama da Vale em Brumadinho, era responsável por 30% do abastecimento hídrico de Belo Horizonte.
A Comunidade Luterana em Belo Horizonte tem acompanhado os familiares com atenção pastoral e também tem vigiado as ações do governo do Estado, depois do crime de Brumadinho. Lamentavelmente precisamos constatar que os desastres de Mariana em 2015 e Brumadinho em 2019 – ambos causados por rompimento de barragens de mineração da Vale – não foram capazes de mobilizar os gestores públicos a cumprir – por exemplo – com a correta aplicação da Taxa de Controle, Monitoramento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (TFRM).
A instituição de uma taxa é diferente de um o imposto que o governo tem liberdade de usar dentro do Orçamento. A TFRM foi criada em 2012 com a intenção de prover recursos para fiscalizar a atividade minerária. Nesse ano de 2019, de janeiro até o mês de maio, o Estado arrecadou 131 milhões de reais com essa taxa, mas gastou apenas 790 mil reais. Por isso, uma ação popular foi impenetrada nesse mês de junho 2019 no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, cobrando do governo estadual a aplicação desses recursos em ações de fiscalização do setor.
A ação popular é uma iniciativa de movimentos sociais e religiosos em Minas Gerais, que querem apontar saídas dessa encruzilhada que diz que é ruim com a mineração, mas é pior sem ela. Não é possível mais aceitar esse modelo extrativista depredatório que condena milhares de pessoas à morte e à lama. A mineração é necessária, mas ela deve ser também segura. Já existe tecnologia suficiente para implementar uma mineração segura e ecologicamente sustentável. É nisso que precisamos nos unir.