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Carta Pastoral 05/2020 em tempos de Covid-19

Amigas e amigos, povo das comunidades,
Iniciamos esta carta pastoral com o pedido de socorro do Salmo 102.1: “Ó Senhor, ouve a minha oração e escuta o meu grito pedindo socorro”, e assim nos dirigimos a tantos corações angustiados.
Há muitos pedidos de socorro que não estão sendo atendidos por falta das condições mínimas de uma parcela imensa da sociedade. Faltam condições mínimas no tratamento do COVID19, falta UTI disponível, falta comida, falta casa com cômodos suficientes e higienizáveis para toda a família.
Ao dirigirmos nosso olhar para as famílias, há muitos pedidos de socorro que não estão sendo ouvidos, ou nem estão sendo feitos, por mulheres que sofrem abusos pela pessoa que amam, com a qual compartilham a casa, a família, a vida.
A violência praticada contra as mulheres dentro do seu lar, que deveria ser um “lar doce lar”, não iniciou obviamente com o isolamento necessário para vencer esta pandemia que nos assola. Inúmeras estatísticas nos mostram o quanto isto é real e extremamente preocupante – aumento de 12% em 2019 comparado a 2018. Mas as estatísticas lamentavelmente também mostram que a violência de gênero aumentou de modo alarmante neste período de isolamento segundo os dados do Fórum Nacional de Segurança Pública.
Como PPL não podemos calar. Igualmente não pode se calar toda a Igreja que tem como Senhor este Jesus de Nazaré que pregou e vivenciou o amor, o carinho, a preocupação com a vida digna para todas as criaturas de Deus.
Junto ao poço de Jacó, lugar estratégico para vivenciar atitudes que libertam a mulher das leis patriarcais machistas de então, Jesus desafiou a tradição e dialogou com a mulher samaritana. A partir desta atitude ela se tornou a primeira missionária para dentro da Samaria (João 4.5-30).
Por Jesus, a mulher é missionária, discípula, profetisa seja lá em qual profissão estiver, seja lá de qual família fizer parte, seja lá qual for a sua história de vida. Nada justifica que ela seja desrespeitada, violada, espancada, estuprada, morta, como estão sendo milhares de mulheres, agora especialmente em seus lares, pelas pessoas que mais deveriam amá-las,
Mais do que nunca temos a missão de propagar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo no sentido de não nos fazermos pessoas surdas e cegas perante esta realidade. Temos o compromisso:
• de nos perguntar: o que podemos fazer?
• de encaminhar tudo o que for possível.
• de apoiar as iniciativas existentes, como os materiais distribuídos pela Secretaria Geral da IECLB em sua campanha “Por um lar sem violência”.
Finalizamos com a palavra de esperança do Salmo 102.28: “Os nossos filhos (e as nossas filhas) viverão em segurança e sua descendência terá sempre a tua proteção”.

Coordenação Nacional da PPL – junho de 2020

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