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A irrupção dos sagrados soterrados por projetos missionários colonizadores – desafios para o testemunho cristão em sociedades plurais

Pa. Ms. Romi Márcia Bencke

“Pensar a América Latina é algo que exige saber operar com paradoxos e contradições sem superação.”

Parte 1. O mito do Brasil cristão
A chegada dos portugueses ao território, que foi chamado Brasil, inaugurou uma história de ambiguidades, contradições, paradoxos, violências e desigualdades que perduram até os tempos atuais. Estas características estão presentes quando se analisa as ações missionárias que ocorreram no país, fortemente caracterizadas pela conversação forçada dos povos originários, os indígenas.
Na obra “Brasil: uma Biografia” (2015), as autoras Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling recuperam com detalhes os três principais alicerces associados ao projeto colonialista português. O primeiro foi o alicerce militar. O segundo o alicerce foi a religião cristã. A estratégia colonialista compreendia que a nova terra deveria ser toda ela ofertada para Deus. Esta oferta ocorreria pela conversão dos gentios (indígenas). E, o terceiro alicerce era o mercantil, iniciando com a exploração do Pau Brasil.
Rapidamente uniram a religião com o mercantil. Os religiosos batizavam e catequizavam indígenas que eram obrigados a esquecer do seu sagrado e de sua cultura. Tudo realizado com muita violência. Uma vez “civilizados” pelo cristianismo os povos originários eram tornados escravos. Os que se rebelavam eram castigados. Talvez seja forçado associar esta prática com projeto missionário. Nos tempos atuais, esta prática estaria mais associada à instrumentalização mútua entre religião, política e economia para alcançar determinado objetivo.
Apesar da incerteza em relação ao número de povos originários que viviam no Brasil no ano de 1500, estima-se algo em torno de 3 milhões a 8 milhões de pessoas, que se dividiam em muitos povos, com distintas tradições religiosas e idiomas. O projeto colonialista dizimou um grande número destes povos. Não há dados concretos que dimensionem o que significou este etnocídio que tem perdurado desde que o Brasil se chama Brasil.
Posteriormente, a mesma prática se repetiu com os africanos e africanas trazidos para serem escravizados. O primeiro que se fazia com as pessoas africanas que pisavam em terra brasileira era batizá-las para que se tornassem gente. Compreendiam que nem indígenas e nem os africanos tinham alma. Só o batismo poderia torná-las humanas e civilizadas. Schwarcz e Starling (2015) destacam que foram trazidos à força para o Brasil 40 % das pessoas retiradas da África para trabalhar nas colônias agrícolas da América portuguesa. Isso significa “3,8 milhões de pessoas. Atualmente, 60% da população brasileira é composta por pessoas pardas e negras. Segundo as autoras, “o Brasil pode ser considerado o segundo mais populoso país africano, depois da Nigéria” (pos. 259).
Da mesma forma que os povos originários, também os povos africanos tinham as suas tradições religiosas, trouxeram do além-mar seus deuses, suas deusas, seus ritos, cantos sagrados. Muitos escravizados eram lideranças religiosas em suas tribos. O silenciamento de seus sagrados foi realizado com violência. Para seguir praticando sua tradição foi necessário criar estratégias. Os cultos aos Orixás eram realizados de madrugada, o sincretismo, que associava cada santo católico a um orixá garantiu a sobrevivência dos deuses da África.
As missões protestantes também não romperam com a lógica da missão como instrumento de conversão forçada para a fé em Jesus Cristo. Os alvos da conversão eram católicos romanos, povos originários e afro-brasileiros.
No período do Brasil Império, a Igreja Católica Romana foi a Igreja oficial do país e, posteriormente, com a proclamação da República, além da igreja Católica Romana, as igrejas do protestantismo histórico foram reconhecidas como instituições religiosas legítimas. Em função disso, até tempos recentes, o país foi considerado como o maior país cristão do mundo, especificamente, como o maior país católico do mundo.
No entanto, este brevíssimo resgate histórico, apresenta elementos para suspeitar desta afirmação repetida por muitos anos.
Para fundamentar a suspeita, recupero o conceito de bovarismo elaborado por Sérgio Buarque de Holanda (1995; p. 166) em seu clássico livro Raízes do Brasil. O autor utiliza este conceito para se referir ao sentimento insuportável de desencantamento que os brasileiros sentem diante de suas condições reais de vida. Isso significa que as pessoas se imaginam sempre diferentes do que são. É como recusar o Brasil real e imaginar um Brasil diferente daquele que realmente existe, uma vez que este país não satisfaz e as pessoas se sentem sem força para mudá-lo (pos. 291).
Arriscaria falar de um “bovarismo religioso” que surge a partir da impossibilidade de os povos originários optarem em não serem cristãos. Da mesma forma, a população afro-brasileira, ainda hoje, sente medo de declarar a sua real pertença religiosa. Geralmente, se declaram católicos romanos em função do medo da perseguição religiosa. As pessoas sem religião se apresentam desta forma a muito pouco tempo. Neste sentido, criou-se um país com uma religião hegemônica para negar-se a existência de um país que sempre foi plural em termos religiosos. O “bovarismo religioso” seria a negação de sua real pertença religiosa para poder viver um país que não assume e não reconhece a legitimidade da sua pluralidade religiosa. É como se o espelho refletisse a cruz, Buda, os instrumentos sagrados do Candomblé, o Bastão Sagrado do povo Tukano e víssemos apenas a cruz.
O Brasil é um país onde a religiosidade brota. Não são somente igrejas novas que surgem aqui. Há muitos outros movimentos religiosos que são autenticamente brasileiros, como por exemplo, o Santo Daime, que surgiu na Amazônia. No entanto, assim como há o nascimento de novas religiões, que são uma espécie de síntese de diferentes tradições religiosas, temos religiões que existiram apenas aqui, cujos sagrados foram dizimados com o seu povo. São sagrados dos quais não sabemos o nome, nem os ritos.
O Brasil é também um país de sagrados soterrados por projetos colonizadores. A cruz, neste caso, não representou salvação, mas um instrumento utilizado para aniquilar quem pudesse atrapalhar o projeto de extração das riquezas naturais.
No entanto, o sagrado, a magia ou os encantados (como dizem os povos originários) não podem ser dominados para sempre. Nos últimos anos tem acontecido um movimento muito interessante que tem rompido com o mito do país cristão. Este movimento é protagonizado por povos originários e afro-brasileiros que reivindicam o direito aos seus sagrados. Pajés, que são as lideranças religiosas indígenas, têm escrito livros com a ajuda de antropólogos onde relatam seus mitos, suas tradições, seus rituais. Destaco dois livros. O primeiro, “O Mundo Tukano antes dos Brancos”, de Álvaro Tukano e o segundo, “A queda do Céu” de Davi Kopenawa e Albert Bruce.
Também no cinema o tema da morte do sagrado original dos povos tradicionais tem sido abordado. É ocaso do filme “Ex Pajé” de Luiz Bolognezi. No filme, o pajé Perpera, se converteu para o pentecostalismo, que declarou sua antiga tradição da Pajelança como demoníaca. No decorrer do filme, Perpera, é levado a questionar esta fé cristã, porque uma de suas parentes indígenas é picada por uma cobra e está à beira da morte. Para salvá-la, ele precisa se decidir se retornará a sua antiga tradição ou não. No processo de reflexão percebe que os mais jovens não conhecem mais as antigas tradições do seu povo Paiter Suruí.
Estas iniciativas representam a resistência e a luta para não deixar morrer as várias expressões do sagrado que povoam o Brasil. Povos como os Guarani Kaiowa, que há anos resistem ao avanço do agronegócio, no Mato Grosso do Sul, têm como centro de sua resistência a preservação de suas Casas de Reza, seus espaços sagrados. As Casas de Reza são um dos primeiros lugares destruídos pelo agronegócio como forma de fragilizar as comunidades indígenas. O movimento ecumênico brasileiro tem ajudado os povos Guarani Kaiowa a reconstruir algumas destas Casas.
Da mesma maneira, os povos de Terreiro, formados pelos praticantes de religiões afro-brasileiras, têm se afirmado na resistência ao racismo religioso, manifestado na intolerância religiosa por causa da origem africana destas tradições. A intolerância manifesta-se das mais variadas formas. Apresenta-se desde violência física, na negação de crianças ou jovens praticantes destas tradições portarem seus símbolos religiosos nas escolas, projetos de leis que querem limitar a prática dos cultos e assassinatos de lideranças religiosas.
Frente a estas intolerâncias, os povos de Terreiro têm se organizado e realizado marchas e caravanas à Brasília, reivindicando o respeito à liberdade religiosa e ao estado laico, ambos garantidos pela Constituição Federal. No ano de 2015, lideranças religiosas de terreiro de todo o país se reuniram no Congresso Nacional em Brasília, trajadas com suas vestes tradicionais para denunciar a violência que tem sofrido. Foi a primeira vez em que um número tão expressivo havia se reunido no Congresso. Muitos parlamentares se negaram em reunir-se com estas lideranças.
A intolerância às tradições de Terreiro desafiou o movimento ecumênico sobre gestos concretos de solidariedade que fossem além do diálogo inter-religioso. Neste sentido, temos apoiado em diferentes estados a criação de Fóruns pela Diversidade Religiosa. No ano de 2015, foi queimado na cidade de Brasília por intolerância religiosa o Terreiro da Mãe Baiana.
Mãe Baiana é uma liderança africana importante na capital federal. Em seu Terreiro ela desenvolve muitos projetos sociais, que tiveram que ser suspensos após o incêndio. Como gesto de solidariedade, a diretoria do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC visitou oficialmente o Terreiro, junto com outras pessoas vinculadas às igrejas que integram o Conselho. O arcebispo de Brasília, Dom Sérgio da Rocha, enviou, pelas representações católicas romanas, uma carta de solidariedade à Mãe Baiana. Na visita, plantamos uma muda de Pau Brasil, árvore símbolo do país. A árvore foi um pedido de Mãe Baiana. Havíamos perguntado para ela do que precisava, pois queríamos ajudar. Ela pediu a árvore, que foi plantada segundo o rito religioso de sua tradição.
Outro gesto, concreto de solidariedade foi realizado pelo CONIC do Rio de Janeiro em novembro de 2017. Naquele ano foi incendiado o Terreiro de Mãe Conceição. O Conselho de Igrejas daquela cidade organizou uma coleta de dinheiro para ajudar na reconstrução do Terreiro. A coleta angariou R$13 mil reais que foram entregues em novembro.
Tais movimentos são movimentos de irrupção dos sagrados silenciados e soterrados. Não há como manter enterrado o que pulsa com força.
Recupero um trecho do livro “A queda do Céu,” onde o Pajé Davi Kopenawa reflete sobre a continuidade da sua tradição Yanomami:
“Apesar de todos esses lutos e prantos, nossos pensamentos acabam se acalmando. Somos capazes de caçar e de trabalhar de novo em nossas roças. Podemos recomeçar a viajar pela floresta e a fazer amizade com as pessoas de outras casas. Recomeçamos a rir com nossos filhos, a cantar em nossas festas reahu e a fazer dançar os nossos espíritos xapiri. Sabemos que eles permanecem ao nosso lado na floresta e continuam mantendo o céu no lugar”. (p. 79)
Esta irrupção dos deuses e deusas soterrados não acontece sem tensões e conflitos. Tem aumentado significativamente os casos de intolerância religiosa em especial contra as religiões de povos originários e afro-brasileiros. No entanto, a intolerância é manifestada também contra cristãos e cristãs que expressam sua solidariedade com as tradições que sofrem a intolerância. Chama a atenção como tem se tornado fácil, no Brasil, a proliferação do discurso de deslegitimação e aniquilamento público do outro em nome de Deus e de Jesus. É o que irei abordar no próximo item.
Parte 2. Os conflitos em nome de Deus
Conflito 1: Rio de Janeiro, setembro de 2017: na internet, nos jornais e na televisão chegam notícias de uma série de ataques a Terreiros de Candomblé e Umbanda. Os que atacavam, chegavam aos Terreiros armados com cassetetes, escrito “diálogo” e obrigavam as Mães e Pais de Santo a destruírem seus próprios símbolos e espaços sagrados. Os intolerantes filmavam a destruição e diziam: “olhem aí: a capeta chefe – quebra tudo…apaga a vela. O sangue de Jesus tem poder. Todo o mal tem que ser desfeito, em nome de Jesus. A senhora é o demônio-chefe”. Em alguns casos, as lideranças foram ameaçadas de morte.
Posteriormente, estes ataques, revelaram um fenômeno que tem ocorrido no Brasil, pelo menos, desde os anos de 1990, mas se intensificado nos anos 2000, que é a aproximação entre traficantes e evangélicos.
No livro “Oração de Traficante” (2015, p. 364), Cunha chama a atenção que a aproximação entre evangélicos e traficantes apresenta múltiplas formas de relação, entre as quais destacam-se: os traficantes frequentam os cultos evangélicos; participam de correntes e de campanhas das igrejas, realizam contribuições financeiras para as igrejas; fazem doações diretas às lideranças das igrejas e de dízimos; pedem proteção e livramento do Mal; promovem financiamento de eventos evangélicos na favela; promovem cultos de ação de graças; mandam pintar muros e outdoors com mensagens bíblicas.
Conflito 2: junho de 2015 – Parada Gay em São Paulo: a Transexual Viviany Belobony, que é atriz, realiza uma encenação da crucificação de Cristo para denunciar o assassinato de travestis e transexuais no Brasil. Em 2017, foram assassinadas 179 transexuais e travestis. A performance da atriz gerou grande polêmica nacional. Ela foi atacada nas redes sociais e agredida fisicamente na rua. A Associação das Igrejas Evangélicas de São Paulo denunciou Viviany ao Ministério Público por ultrajar, impedir e perturbar o culto religioso. Destaca-se que Viviany é de família cristã e quando planejou a sua apresentação tinha em mente o significado da cruz como símbolo da violência. A Igreja Episcopal Anglicana convidou Viviany para participar de um seminário sobre diversidade sexual na igreja. Viviany foi e agradeceu a solidariedade. Destacou todo o processo de criação de sua apresentação. Foi um dos poucos espaços religiosos em que ela pôde falar sem medo.
Em todos os debates ocorridos na sociedade por causa da apresentação de Viviany o que se sobrepôs foi o de ultraje da cruz. Foram poucas as discussões sobre a violência praticada contra transexuais e travestis. É importante destacar que no ano de 2015, já estavam acontecendo muitos debates e movimentos organizados contrários à perspectiva de gênero. Estes movimentos são protagonizados por grupos cristãos conservadores de diferentes igrejas. Uma das consequências deste movimento é justamente o fortalecimento do preconceito contra gays, travestis e transexuais.
Conflito 3: ano de 2018 – contexto eleitoral brasileiro: estamos a vinte e seis dias das eleições gerais. O quadro político que se apresenta é incerto e relativamente tenso. Novamente Deus tem sido um ator importante no cenário político. Seu nome é disputado por todas as correntes políticas. Nas igrejas, é possível observar as mesmas tensões e polarizações que estão na sociedade. Irmãos brigando com irmãos.
Frente ao aumento da expressão pública do fundamentalismo cristão, as universidades brasileiras têm procurado dialogar com quem tem procurado refletir teologicamente sobre temáticas relacionadas aos direitos humanos, em especial das minorias. Entretanto, também a liberdade de reflexão e elaboração teológica tem sido pouco aceita. Para muitos membros de igrejas, o livre pensar teológico tem sido um problema, mesmo quando é realizado com responsabilidade. Nesse sentido, a pergunta é como se atualiza o testemunho cristão em um mundo cada vez mais complexo se a teologia não pode ser livre das institucionalidades.
O acirramento dos conflitos em nome de Deus, que é um conflito falso, porque a fé em Jesus Cristo convoca para a unidade (Jo 17.23-23) gera desconfiança e prejudica o testemunho cristão no espaço público. Como falar em amor se muitos de nós anunciam o ódio?
Apresentei três grandes blocos de conflitos que envolvem diretamente o testemunho cristão em uma sociedade plural. O primeiro bloco de conflito remete à pluralidade religiosa, o segundo bloco à diversidade de gênero e à pergunta se cabe a nós determinar quem pode ou não ser cristão? No Brasil, pessoas LGBTs reivindicam nas igrejas o seu direito de ser cristãs e nem sempre são aceitas. E, por fim, o bloco três, tem a ver com a instrumentalização do nome de Deus para a legitimação de interesses políticos institucionais e a falta de liberdade teológica para qualificar as discussões relacionadas sobre religião e direitos humanos.
Esta breve síntese dos principais conflitos apresentados pela sociedade plural contribuirão para a elaborar alguns desafios para o testemunho cristão no Brasil.
Para não concluir: desafios para ensaiar o testemunho cristão em um Brasil plural
O primeiro desafio para o testemunho cristão em contexto brasileiro é superar o que chamamos de “bovarismo religioso”, reconhecendo a existência e a legitimidade da pluralidade brasileira. Há uma resistência de parte significativa de pessoas cristãs em aceitar as diferentes tradições de fé que estão presentes no contexto brasileiro. Compreendê-las não como ameaça, mas como expressões do amor de Deus seria um testemunho concreto de amor ao próximo.
O segundo desafio é afirmar claramente que o Evangelho e a violência são incompatíveis. Não há como professar a fé em Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, destruir o sagrado do outro. Da mesma forma, não é possível negar, em nome de Deus e da fé em Jesus Cristo, o direito à existência do outro por causa da sua orientação sexual ou tradição religiosa.
O terceiro desafio, fortalecer as alianças de solidariedade e de proteção aos sagrados em risco de extinção. Cada tradição religiosa reúne um conjunto de sabedorias que, se não forem cuidadas e preservadas, empobrecem a própria humanidade.
O quarto desafio, repensar o que é igreja. Isso significa não sobrevalorizar as institucionalidades. Elas são importantes, mas não é um fim em si mesmo. O objetivo é sempre o testemunho da fé em Jesus Cristo e a proclamação do Reino. De nada vale ter a instituição se não testemunhamos Jesus e não proclamamos o Reino de justiça e misericórdia (Mt 25.34-26; Lc 1.46-56; Lc 6.36-46). Nesse sentido, não perder a perspectiva do projeto originário de Jesus é um exercício permanente a ser feito.
O quinto desafio, liberdade teológica para atualizar o testemunho cristão. A fé em Jesus Cristo é dinâmica. Ela não congela no tempo. Sua mensagem se atualiza. Por isso, é necessário que o fazer teológico não esteja condicionado a doutrinas, dogmas e poderes institucionais.
Finalmente, o permanente desafio da igualdade na diversidade e da abertura das fronteiras. O século XXI apresenta paradoxo no fim de todas as fronteiras e, ao mesmo tempo, do desejo de se erigir novos muros para separar e confinar os que fogem de guerras e da falta de perspectiva.
Uma inspiração para o testemunho cristão em um mundo plural pode ser o exemplo da comunidade de Gálatas, que se deparou com os conflitos que se originam do encontro entre diferentes culturas e nos deixou como herança a o legado abaixo:
“De fato, vós todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus, pois todos vós que fostes batizados em Cristo vos vestistes de Cristo. Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem e mulher, pois vós sois um só em Cristo Jesus. (Gl 3.28)
É esta orientação que precisa valer hoje também para cristãos e cristãs de qualquer lugar do mundo.

Bibliografia
CUNHA, Christina Vital da. Oração de Traficante. Uma etnografia. 1. Ed. Rio de Janeiro: Graramond Universitária, 2015
FERREIRA, José Antônio. Gálatas. A epístola da abertura de fronteiras. São Paulo: Ed. Loyola, 2005;
HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras 26.ed., 1995.
KOPENAWA, Davi; BRUCE, Albert. A Queda do Céu. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SAFATLE, Vladimir. Só mais um esforço. São Paulo: Três Estrelas, 2017.
SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING; Heloisa M. Brasil: uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Livro Eletrônico.
TUKANO, Álvaro. O Mundo Tukano antes dos brancos. Um mestre Tukano, vol. I. Brasília:INCTI/UNB/CNPQ, 2017.

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