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Mensagem de Natal

Mensagem de Natal da Pastoral Popular Luterana

“E ele mostra a sua bondade a todos que o temem em todas as gerações. Deus levanta a sua mão poderosa e derrota os orgulhosos com todos os planos deles. Derruba dos seus tronos reis poderosos e põe os humildes em altas posições. Dá fartura aos que tem fome. Manda os ricos embora com as mãos vazias.” (Lc1.50-53)

O Natal é uma das datas mais importantes da fé cristã. Nele lembramos que Deus visitou o seu povo de maneira radical, tornando-se parte do povo, tornando-se um ser humano. Mais que isso, Deus se tornou uma frágil, vulnerável, pobre e perseguida criança. É a mensagem mais clara da solidariedade de Deus com os pequeninos e as pequeninas. Ele está do lado do mais frágil de todos, para assim poder estar com todo mundo.

Às vezes pode passar desapercebido o papel de Maria nessa história de salvação. Maria era uma mulher jovem e pobre, natural de uma região muito pobre, periférica e desprezada da Palestina: a Galileia. Ela era noiva, mas ainda não era casada. E foi a essa mulher que o anjo, o mensageiro do Senhor visitou e disse “bem-aventura”, “feliz”! O anjo não visita José, como tantas outras vezes visitou bem-aventurados homens no passado. Dessa vez o anjo rompe as barreiras tradicionais da família e dos papeis de gênero na sociedade da época. O anjo fala diretamente a mulher. Anuncia sua bem-aventurança. E Maria, em sua liberdade, diz SIM a Deus, diz SIM para carregar Jesus em seu ventre, diz SIM para ser mãe. Aqui temos um exemplo contundente de empoderamento feminino. Maria não é objeto da ação de Deus. Ela é sujeito. Ela é livre. Ela decide. Ela diz SIM.

Nesse momento, Maria profetiza. Seu cântico é um dos textos mais lindos da tradição cristã e mais forte da mensagem de justiça social que Deus quer operar mediante Jesus: Deus derrota os planos dos soberbos; Deus derruba dos tronos os poderosos e exalta os humildes; Deus concede fartura aos pobres e manda os ricos embora, de mãos vazias. Que mensagem poderosa! De quê Maria seria chamada em nossos dias por exercer sua liberdade e falar de forma tão clara contra as injustiças sociais de seu tempo?

O ano de 2018 está terminando e traz consigo uma mensagem de resistência para a esperança. Tal como Maria, esse ano foi de muita resistência das mulheres. Mulheres do Brasil inteiro, de diferentes confissões, classes, cores uniram-se contra a injustiça social, contra a soberba, contra quem humilha os pequeninos e as pequeninas do Brasil. Em setembro essas mulheres protagonizaram um dos maiores eventos de resistência de nosso tempo, o #elenão. Maria, tomada pela fé salvadora de Deus, disse SIM. As mulheres do Brasil disseram NÃO. Assim é a dinâmica da palavra profética: o SIM à salvação, o NÃO à perdição.

Como Pastoral Popular Luterana, como comunidades de fé, como sociedade brasileira, temos que aprender com a resistência das mulheres, temos que aprender com a força da ousadia, a força da liberdade teimosa contra toda opressão, aprender com sua garra. É no corpo delas que trazem a mensagem da resistência, da esperança e da libertação. As mulheres são mensagem salvífica de Deus, como canta Milton Nascimento “de uma gente que ri quando deve chorar”.

Que a fé de Maria e a luta das mulheres de nosso tempo sejam mensagem de esperança. Não nos abatemos, não nos desanimemos. Tenhamos fé. Tenhamos alegria. Deus visitou seu povo. Jesus nasceu. Resistência é alegria antecipada, é SIM ao riso quando os poderosos procuram arrancar o choro. Uma boa risada cheia de esperança e resistência é profecia. Bem-aventuradas, bem-aventurados nós, porque a felicidade é poder lutar na certeza da fé em Jesus.

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